Estudo mostra que mais de 50% dos brasileiros não têm acesso a esgoto

Um levantamento da Abdib (Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base) mostra que mais de 50% dos brasileiros –cerca de 95,3 milhões– não têm acesso ao serviço de coleta de esgoto. Além disso, segundo o estudo, 35,3 milhões de pessoas não dispõem de rede geral de distribuição de água, 6,1 milhões vivem sem energia elétrica e 53,1 milhões não contam com telefone fixo ou celular em casa.

Os dados são baseados na PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2005, lançada pelo IBGE em 2006.

A maioria dos brasileiros sem acesso a esses serviços é formada por famílias com renda mensal de até três salários mínimos. No caso da coleta de esgoto, dos 95,3 milhões sem acesso, 58,3 milhões –ou 61,2%– estão nessa faixa.

Nos demais casos, a porcentagem é ainda maior. As famílias com renda de até três salários mínimos representam 69,9% dos que não dispõem de abastecimento de água –cerca de 24,69 milhões de pessoas.

Ainda nessa faixa de renda, 5,2 milhões de pessoas (85,7%) não têm acesso à energia elétrica e 44,03 milhões (82,9%) não possuem telefone.

O estudo sugere que uma das formas para facilitar o acesso a esses serviços seria reduzir a carga tributária, que atinge, em alguns setores, metade da conta mensal.

O objetivo do levantamento, de acordo com a Abdib, é alertar para a relação que existe entre o acesso pleno a serviços de eletricidade, telefonia, água e esgoto para a superação da pobreza.

“A infra-estrutura é, depois de um sistema educacional universal e eficiente, condição fundamental para haver qualidade de vida e para prover as pessoas de condições mínimas para que elas ultrapassem a linha de pobreza com as próprias mãos”, explica Paulo Godoy, presidente da Abdib.

Segundo o documento, a ausência de redes para abastecimento de água tratada e para coleta e tratamento de esgoto aumenta a proliferação de doenças bacterianas passíveis de prevenção, prejudica o ano escolar de milhares de crianças e força o poder público a despender mais recursos com serviços hospitalares.

Godoy aponta caminhos para o poder público promover o acesso da população de baixa renda aos serviços: reduzir a carga tributária incidente sobre o consumo, de acordo com a essencialidade dos serviços; aproveitar a legislação de parcerias público-privadas; e formular planos abrangentes de concessão que permitam a aplicação de políticas tarifárias e de subsídios transparentes em regiões maiores.

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